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por Kárin V. Kuibida

O cão, como o ser humano, é vítima de um desequilíbrio biológico pela proliferação descontrolada de flebotomíneos. No entanto, ele não é o responsável pela presença da Leishmaniose visceral (LV), ele também é vítima.

As leishmanioses são doenças endêmicas que ocorrem em vários continentes, tanto no Velho Mundo como nas Américas. No Brasil, a doença é de notificação compulsória, que requer ampla investigação epidemiológica para definir estratégias de controle, com diagnóstico clínico de difícil realização devido à variedade de sintomas. Historicamente, a doença predominava nas zonas rurais até o final da década de 70. Atualmente, encontra-se em franca expansão em áreas urbanas e periurbanas chegando aos estados do sudeste (principalmente São Paulo) e sul do país. O Brasil está entre os países da América Latina que apresentam cerca de 90% de novos casos anuais. Estima-se que, dos 27 estados brasileiros, 19 já apresentaram casos de LV.

Os hospedeiros vertebrados são representados pelo homem e pelos mamíferos domésticos ou silvestres. Os cães podem permanecer assintomáticos por toda a vida ou desenvolver sintomas após períodos que variam de três meses a sete anos. A confirmação do diagnóstico da LV pode se basear em métodos parasitológicos, moleculares e sorológicos. Não existe nenhum exame laboratorial com 100% de especificidade e sensibilidade para esta doença. Recomendamos que o diagnóstico da doença seja realizado com base nos sintomas clínicos, nas condições epidemiológicas com apoio dos exames laboratoriais que deverão ser interpretados com cautela.

Com o diagnóstico estabelecido o proprietário juntamente com Médico Veterinário precisam decidir sobre o tratamento ou o sacrifício do cão. Dr. Carlos Costa da UFPiauí citou no último Congresso de Fortaleza que “o sacrifício dos animais é conflitante e incompleto, devido a metodologia de triagem onde eliminam-se muitos cães sadios inutilmente com argumentos de baixo suporte científico, pois podem estar desviando repastos infectantes para pessoas suscetíveis. Concluiu também que as próximas gerações terão uma referência da era atual ignorante e brutal”.
Hoje a inexistência de tratamentos efetivos para a cura total da doença canina, e a polêmica sobre a eliminação indiscriminada dos cães infectados, tornam urgente a adoção de novas estratégias. Os protocolos atuais oferecem boas possibilidades de cura clínica, diminuição ou supressão do parasitismo cutâneo e capacidade infectante da pele. Medidas de controle do vetor juntamente com tratamento e a prevenção no cão, incluindo a vacinação que existe desde 2004, são eficientes para minimizar o risco da transmissão. A posição do Ministério da Saúde é de que a instituição manterá a contra-indicação do tratamento de cães infectados ou doentes no Brasil, até que novas evidências científicas possam estar contribuindo para que se tome uma nova decisão por meio de discussões técnicas e científicas.

Melhores resultados poderão ser alcançados se os segmentos sociais envolvidos buscarem entrosamento e colaboração, salinetando também o impacto da educação em saúde e noções de posse responsável que são de fundamental importância para o sucesso no controle desta e de demais zoonoses.

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