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Produção Científica

Um exame veterinário pode ser enviado para um laboratório humano?
por Thatianna Camillo Pedroso, Médica Veterinária, MSc.

A Medicina Veterinária busca o conhecimento especializado em seus diversos setores, entre eles o diagnóstico em análises clínicas, contudo, ainda é frequente o questionamento sobre a possibilidade de se analisar amostras veterinárias em laboratórios humanos e que problemas poderiam decorrer disto. A utilização das técnicas de patologia clínica humana em amostras veterinárias pode levar a falhas de análise e consequentemente, obtenção de resultados errados.

As particularidades das espécies animais devem ser consideradas em todo o processo, desde a coleta até a interpretação dos resultados. Os animais têm diferentes formas de resposta à anemia; diferentes valores de relação linfócito:neutrófilo; características específicas na morfologia celular, algumas intensamente diferentes, como eritrócitos nucleados em aves ou reptéis e até mesmo o tumor venéreo transmissível canino (TVTC), neoplasia exclusiva de cães.

A seguir encontram-se exemplos de situações e erros comuns quando laboratórios humanos analisam amostras provenientes de animais:
*Utilização de contadores hematológicos eletrônicos sem calibração para as diferentes espécies animais: hemácias de gatos são muito menores do que as de humanos, por isso, o contador confunde parte delas com plaquetas, diminuindo a contagem de eritrócitos e o volume globular (VG), enquanto aumenta o volume globular médio (VGM) e a plaquetometria;

*Corpúsculos de inclusão e hemoparasitas: não há familiaridade com os tipos de inclusões observadas nas células dos animais, diferentes daquelas vistas em humanos, por exemplo, o corpúsculo de Lentz, patognomônico da cinomose; e conhecimento teórico-prático sobre os hemoparasitas, que são diferentes entre cada espécie animal;

*Dosagens bioquímicas: aparelhos de análise bioquímica liberam sinais de alerta juntamente com os resultados que indicariam uma alteração, HI ou seta para cima quando alto e LO ou seta para baixo quando diminuído, porém esses aparelhados são previamente configurados para avaliar as dosagens a partir de parâmetros humanos, sendo necessário desconsiderar o alarme e reavaliar conforme o valor de referência da espécie em questão;

*Dosagens hormonais: hormônios peptídicos diferem em sua composição bioquímica entre as espécies, por isso, é necessário usar kits espécie-específicos em suas dosagens, caso do hormônio estimulante da tireóide (TSH), da triiodotironina (T3) e da tiroxina (T4);

*Características físico-químicas e do sedimento urinário: a análise química, realizada com tiras reagentes humanas é falha ao detectar alguns parâmetros da urina dos animais, por exemplo, a densidade específica e a presença de leucócitos; diferentes pHs podem ser considerados normais, de acordo com a espécie avaliada; e há ainda as diferenças fisiológicas, como cristais de carbonato de cálcio em equinos ou a bilirrubinúria em cães machos.

Todos estes exemplos reforçam a condição de que amostras provenientes de animais devem ser processadas em laboratórios veterinários, pois apenas o médico veterinário, tem em sua formação acadêmica, os pré-requisitos necessários para analisar, confeccionar laudos e interpretar esse tipo de material, o que o difere dos demais profissionais da saúde.     

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BUSH, B. M. Aspectos da interpretação. In:__. Interpretação de resultados laboratoriais para clínicos de pequenos animais. 1.ed. São Paulo: Roca, 2004. cap.1, p.18-24.
LABORATÓRIOS de diagnóstico: um mercado em expansão. VZ em Minas. Matéria da capa. Belo Horizonte: 2011. Ano XXI, n. 109, p. 6-12.

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