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Produção Científica

Obesidade Canina
por Kárin V. Kuibida

A obesidade é uma doença que pode acarretar alterações em várias funções do organismo, limitando a longevidade do cão devido ao acumulo excessivo de gordura. É sabido que o tecido adiposo é o maior sistema endócrino do organismo animal, podendo desenvolver patologias relacionadas a este ou não.

A prevenção da obesidade requer orientação profissional, disciplina nutricional e atenção redobrada durante os períodos de maior risco de desenvolvimento da doença.

O tratamento desta patologia pode tornar-se complicado por vários fatores, inclusive pela falta de conhecimento dos proprietários. Estes, muitas vezes, tendem a minimizar o problema, mas sem a sua total cooperação é impossível minimizar os efeitos da doença.

O médico veterinário tem o dever de explicar aos proprietários a importância de não se valer do artifício de compensação, ou seja, compensar o período ausente com uma alimentação desproporcional a que deveria ser administrada a seu cão, permitindo a ingestão de petiscos e guloseimas que não façam parte da dieta normal do animal,

Em caso de já haver obesidade, o proprietário devendo cumprir os protocolos de perda de peso e de tratamento do animal obeso de acordo com as prescrições recomendadas por um profissional especialista de sua confiança.

Toda dieta deve ser acompanhada por um veterinário, pois ele é o único profissional que tem condições de fornecer as informações de restrição alimentar e, em que proporção esta restrição pode ser feita para uma perda de peso adequada sem comprometer a saúde do animal e sem deixa-lo passar fome. A idéia é realizar uma dieta dentro dos limites de tolerância de cada animal. Para isso é preciso realizar um leque de exames para se certificar de que o animal está apto a ser submetido a uma restrição alimentar e a uma série de exercícios que fora de sua rotina diária e, da mesma forma, os exames poderão dizer se o problema da obesidade é relacionado ou não a patologias paralelas que serão tratadas em conjunto pois o animal não conseguirá perder peso caso esse diagnóstico não seja realizado adequadamente.

O meu cão é obeso?

Em caninos, um conjunto de fatores associados ou não podem desenvolver a obesidade, vejamos alguns deles:
Nutrição: Os maus hábitos alimentares são fatores primários para o surgimento de obesidade. Muitos proprietários, sem acompanhamento de um Médico Veterinário, oferecem alimentos em quantidade e com valor calórico desproporcionais à dieta que deveria ser ministrada a seu animal.
Sedentarismo: A falta de exercício físico é um fator agravante do surgimento de obesidade. Essa ocorre com maior frequência em animais que não estão habituados a passear ou correr.
Raça: Algumas raças possuem predisposição à obesidade como por exemplo os beagles, os boxers, teckel e pastores entre tantos outros.
Idade: A probabilidade da chegada da obesidade aumenta com a idade do animal. Raros são os cães jovens obesos, mas se um animal já tem excesso de peso enquanto jovem, o risco de se tornar um adulto obeso é maior do que um cão com peso ideal para a sua idade.
Dentre os fatores secundários que podem contribuir para o desenvolvimento da obesidade estão os efeitos colaterais do medicamentos ministrados e as doenças endócrinas: sobre os medicamentos, alguns podem provocar polifagia (ingestão excessiva) o que causa aumento de peso; exemplo disso são os anti-inflamatórios glicocorticóides, os antiepilépticos e os contraceptivos orais. Sobre as doenças endócrinas, determinadas patologias como o hipotiroidismo, hiperadrenocorticismo e diabetes mellitus estão associadas ao aumento de peso.

A obesidade reduz a longevidade dos animais, ficando estes com uma menor resistência a infecções e um maior risco de desenvolver problemas cardiorrespiratórios, osteoarticulares, endócrinos e outras patologias como as de pele. Cadelas obesas gestantes terão também maior dificuldade em parir (distócia) e quando da realização de cirurgias, os riscos anestésicos são maiores nestes animais do que naqueles com peso ideal. Estabelece-se então num “ciclo vicioso”: um animal obeso e doente tende a reduzir a sua atividade, o que contribui ainda mais para o aumento de peso e quanto mais obeso, mais dificuldades serão encontradas para um tratamento eficaz.

A demora em consultar um profissional da Veterinária pode por em sério risco o tempo que o proprietário poderá usufruir da companhia de seu animal de estimação.

A monitorização também é de fundamental importância. O animal deve realizar consultas de acompanhamento quinzenais ou mensais, como forma a avaliar a perda de peso e para que o médico veterinário possa ajustar os níveis de ingestão e calorias necessários.

BIBLIOGRAFIA
APTEKMANN, Karina Preising, et al. Aspectos nutricionais e ambientais da obesidade canina. Ciência Rural, 2014, 44.11: 2039-2044.
FURNISS, G. Obesidade canina: como mudanças de comportamento podem ajudar a evitá-la. Focus Aux, 2010, 1.2: 1-32.
RODRIGUES, Letícia Furtado. Métodos De Avaliação Da Condição Corporal Em Cães. Universidade Federal de Goiás. Escola de Veterinária e Zootecnia. Brasil, 2011.
VEIGA, Angela Patricia Medeiros. Suscetibilidade a diabetes mellitus em cães obesos. 2007.

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