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Produção Científica

Interpretações clínicas das alterações morfológicas de hemácias nos animais domésticos
por Thatianna Camillo Pedroso, Médica Veterinária, MSc.  

As hemácias maduras normais se apresentam como discos bicôncavos, com uma área de palidez central, e quando não há alterações de morfologia ou contagem são todas idênticas. Contudo, as alterações de tamanho e forma dos eritrócitos, visíveis nos esfregaços sanguíneos, são bastante comuns e auxiliam o veterinário clínico a classificar anemias e até mesmo diagnosticar patologias. Nas diferentes espécies animais, algumas destas alterações são consideradas fisiológicas, exigindo conhecimento específico.

A descrição adequada da morfologia das hemácias por parte do laboratório e a boa interpretação destas informações são fundamentais para o bom proveito do exame. Os patologistas do Diagno Vet Laboratório Veterinário estão preparados para apontar estas condições nos laudos dos hemogramas, respeitando as diferenças entre espécies, bem como apoiar seus clientes nos possíveis significados das alterações. Assim, com o objetivo de facilitar as interpretações clínicas a partir das alterações morfológicas de hemácias, a tabela a seguir apresenta essas informações em ordem alfabética.

TABELA. ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DE ERITRÓCITOS EM ESFREGAÇOS SANGUÍNEOS DE ANIMAIS DOMÉSTICOS.
TIPOS DE ALTERAÇÕES  POSSÍVEIS INTERPRETAÇÕES CLÍNICAS
 
Acantócitos ou células espora • Doenças renais (glomerulonefrite) e esplênicas
• Hemangiomas, hemangiossarcomas, linfossarcomas
• Doenças hepáticas graves, hepatites difusas, envolvimento neoplásico, cirrose
• Desvios portossistêmicos
• Dietas ricas em colesterol
• Coagulação intravascular disseminada (CID)
Anisocitose • Anemias regenerativas (macrócitos, policromasia)
• Anemias ferroprivas (micrócitos, hipocromia)
Células ouriço ou burr cells • Uremia grave em cão ou gato
• CID
Corpúsculo de Heinz • Presença de agente oxidante (anemias hemolíticas tóxicas, ex: acetaminofeno, alho, cebola)
• Gatos: doenças intestinais, disautomia felina (síndrome de Key-Gaskell)
• Cães: terapia regular com prednisona, esplenectomia
• Vacas: hemoglobinúria pós-parto
Corpúsculo de Howell-Jolly • Anemias regenerativas
• Animais com função esplênica diminuída (esplenectomia ou tumor esplênico) devido à diminuição da capacidade macrofágica
• Administração de corticóides
• Macrocitose em Poodles
Corpúsculo de Lentz • Inclusão viral causada pelo vírus da Cinomose
Dacriócitos • Distúrbios mieloproliferativos, mielofibrose, mieloptise
• Hiperesplenismo
Eliptócitos ou ovalócitos • Distúrbios mieloproliferativos, mielofibrose, mieloptise
• Cães: glomerulonefrite, causa hereditária (rara)
• Gatos: hepatopatias e administração de doxorrubicina
• Fisiológicos em camelídeos, aves e répteis
Eritroblastos (rubroblastos, prorrubrícitos, rubrícitos ou metarrubrícitos) • Com morfologia habitual, representam resposta regenerativa da medula óssea, podem ser citados de forma generalizada pelos termos normoblastos ou eritroblastos
• Quando maiores que o normal, por deficiência de folato, são chamados de megaloblastos
• Em pequeno número, são normais em cães e gatos
• Em grande número, mas acompanhados de pequeno número de reticulócitos, podem indicar distúrbios mieloproliferativos, hemangiossarcomas, intoxicação crônica por chumbo ou algumas doenças hepáticas
Equinócitos, espiculócitos ou crenação • Amostras antigas ou com excesso de EDTA
• Administração de drogas anfipáticas
• Desidratação celular
• Uremia
• CID
• Tumor vascular (hemangiossarcoma)
• Cães: glomerulonefrite, linfoma, anemia hemolítica imunomediada, deficiência de piruvato-quinase, picada de cascavel, toxicose por doxorrubicina
• Gatos: ocorre nas situações descritas, mas especialmente após uso prolongado da doxorrubicina
• Equinos: hiponatremia, hipocloremia, colite, pós-exercício
• Suínos: consideradas fisiológicas
Esferócitos • Doenças hemolíticas imunomediadas (anemia hemolítica auto-imune primária ou induzida por drogas)
• Anemia hemolítica por aloanticorpos (transfusão sanguínea incompatível ou de neonatos)
• Outras causas: veneno de cobra coral ou cascavel, anaplasmose bovina
Esquistócitos • Anemias ferroprivas
• Vasculite ou CID
• Dirofilariose
• Mielofibrose
• Doenças renais (glomerulonefrite) ou esplênicas crônicas
• Tumores malignos, especialmente hemangiossarcomas
• Fluxo sanguíneo turbulento (lesões em válvula cardíaca, persistência do canal arterial, cardiomiopatia, insuficiência cardíaca congestiva)
Estomatócitos • Anemias hemolíticas
• Anemia crônica e certas doenças hepáticas
• Hereditárias: estomacitose hereditária nos Malamutes do Alasca, Schnauzers e Drentse Patrijshond
Excentrócitos, picnócitos ou hemácias semi-fantasma • Presença de agente oxidante (anemias hemolíticas tóxicas)
• Cães: intoxicação por acetaminofeno, paracetamol, cebola, alho
• Também já foram descritos em cães com diabete mellitus, linfoma de células T e infecções severas
• Equinos: intoxicação por Bordô Vermelho (Acer rubrum), deficiência da glicose-6-fosfato desidrogenase (G-6-PD), deficiência de flavina adenina dinucleotídeo (coenzima FAD)
Hemácias-fantasma • Hemólise intravascular
• Anemias imunomediadas
• Processos de intoxicação ou injúria aos eritrócitos
Hemoaglutinação • PPT aumentada (inflamação, neoplasia, infecção e até gestação)
• Anemia hemolítica imunomediada
• Pode ocorrer em equinos tratados com heparina
• Não é considerada fisiológica em nenhuma espécie
Hipocromia / Hipocromasia • Anemia ferropriva (pobreza de hemoglobina por deficiência alimentar ou perda crônica e significativa de sangue)
• Deficiência crônica de cobre ou vitamina B6
Leptócitos, hemácias em alvo, codócitos ou target cells • Doenças crônicas debilitantes
• Deficiência de ferro
• Afecções hepáticas, obstruções, colestase
• Afecções esplênicas crônicas ou esplenectomia
• Icterícia não hemolítica, de causa obstrutiva, por exemplo
• Doenças renais em estágio final
• Hipotireoidismo
• Supressão da medula óssea
Macrócitos • Geralmente são reticulócitos, relacionados à anemia regenerativa
• Quando grandes e maduros ocorrem por deficiência de folato ou niacina, na anemia megaloblástica
• Doenças hereditárias: Poodle, Malamute do Alasca, Siamês
• Aumento da diferenciação e diminuição do tempo de maturação eritrocitário, por exemplo, hipertireoidismo felino ou síndromes mielodisplásicas
• FeLV
• Fisiológico em animais jovens
• Podem acarretar aumento do VGM
Micrócitos • Anemia ferropriva
• Deficiência de piridoxina (vitamina B6)
• Hemácias infectadas por Mycoplasma em casos que não respondem ao tratamento
• Doenças hereditárias: Akita, Shiba Inu
• Fisiológico em animais idosos
Poiquilocitose ou pecilocitose • Termo abrangente para diversas alterações de forma, que devem ser detalhadas pelo patologista clínico
• Considerada normal em ruminantes jovens e caprinos de qualquer idade
Policromasia ou policromatofilia • Resposta regenerativa da medula óssea
• Anemia discreta por diluição
• Pós-parto
• Comuns em cães e gatos, raros em ruminantes
• Equinos não têm reticulócitos circulantes, portanto não apresentam policromasia
Poiquilocitose ou pecilocitose • Termo abrangente para diversas alterações de forma, que devem ser detalhadas pelo patologista clínico
• Considerada normal em ruminantes jovens e caprinos de qualquer idade
Policromasia ou policromatofilia • Resposta regenerativa da medula óssea
• Anemia discreta por diluição
• Pós-parto
• Comuns em cães e gatos, raros em ruminantes
• Equinos não têm reticulócitos circulantes, portanto não apresentam policromasia
Ponteado basófilo ou siderócitos • Quando há anemia, indicam resposta regenerativa da medula óssea, especialmente em ruminantes
• Quando não há anemia, pode indicar intoxicação pelo chumbo (saturnismo)
Queratócitos ou ceratócitos • Anemias hemolíticas
• Utilização de determinados fármacos
• Injúria na microvascularização especialmente quando há depósito de fibrina
• Gatos: hepatopatia
• Cães e gatos: hemangiossarcoma ou administração prolongada de doxorrubicina
Reticulócitos • Resposta regenerativa da medula óssea
• Observados apenas com uso de corantes específicos
Rouleaux
• PPT aumentada (inflamação, neoplasia, infecção e até gestação)
• Quando discreto é considerado normal em gatos
• Em equinos não representa alteração
Torócitos • Artefato que pode ser confundido com hipocromia

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BARGER, A. M. Erythrocyte Morphology. In: WEISS, D. J. & WARDROP, K. J. Schalm´s Veterinary Hematology. 6.ed. Ames: Wiley-Blackwell, 2010. cap.23, p.144-151.
BUSH, B. M. Interpretação de resultados laboratoriais para clínicos de pequenos animais. 1.ed. São Paulo: Roca, 2004. 384 p.
LOPES, S. T. A., BIONDO, A. W., SANTOS, A. P. Manual de Patologia Clínica Veterinária. 3. ed. Santa Maria: UFSM, 2007. p.16-17.
REAGEN, W. J., ROVIRA, A. R. I., DeNICOLLA, D. B. Atlas de Hematologia Veterinária: espécies domésticas e não domésticas comuns. 2. ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2011. 108 p.

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