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Produção Científica

DIAGNÓSTICO DE CISTITE EM CÃES E GATOS
por Thatianna Camillo Pedroso, Médica Veterinária, MSc.




 
O trato urinário saudável é estéril, dos rins até a metade proximal da uretra, contudo a ascendência e invasão de bactérias na uretra e vesícula urinária são relativamente frequentes, fazendo da cistite a doença mais comum do trato urinário inferior de cães e gatos. Os sinais clínicos descritos são disúria, polaquiúria, estrangúria, hematúria e incontinência urinária, porém estima-se que cerca de 80% dos pets afetados não manifestam sinais clínicos. 

O primeiro exame geralmente utilizado para o diagnóstico é a urinálise. Este exame tem custo acessível, podendo ser facilmente incluído nas avaliações de check-up dos animais e principalmente, se houver alguma queixa do proprietário que remeta a suspeita de cistite. A presença de bacteriúria, piúria e hematúria são fortes indicativos de infecção, contudo a ausência de bacteriúria ou piúria também não deve descartar o diagnóstico de cistite, especialmente em urinas de baixa densidade (isostenúria ou hipostenúria). Outros achados que devem chamar a atenção do clínico nas urinálises de cães e gatos, são a proteinúria e o pH alcalino.

O método de coleta e a conservação da urina também devem ser levados em consideração, pois a presença de microrganismos no sedimento urinário pode ser causada por contaminação. Por isso, o ideal é que a urina seja coletada por cistocentese, eliminando assim a contaminação por bactérias da flora da vulva e prepúcio. Amostra coletadas com higiene precária, mal conservadas, ou estocadas por períodos maiores do que 4 horas, comprometem a interpretação da bacteriúria observada no sedimento urinário. Além disso, uma desvantagem da urinálise é que sozinha, ela não é incapaz de identificar o agente etiológico da infecção e direcionar qual o melhor antibiótico a ser instituído. Para este fim, a urocultura torna-se extremamente útil e importante.

A urocultura, considerada teste-ouro no diagnóstico de infecções do trato urinário inferior de cães e gatos, possibilita a avaliação microbiológica qualitativa e quantitativa da amostra com identificação do agente causador da infecção, que pode ser único ou múltiplo, e o número desses agentes por unidade de volume. O ideal é associar ao teste de sensibilidade de antibióticos, que orienta o clínico veterinário na condução terapêutica do caso. As bactérias gram-negativas mais frequentes incluem Escherichia coli, Proteus mirabilis, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa e Enterobacter spp., e as gram-positivas Streptococcus spp. E Staphylococcus spp.
O diagnóstico por imagem, através de ultrassonografia, também é muito útil, pois permite a avaliação da parede vesical e de seu conteúdo, o que é de grande valor para as causas não infecciosas de cistite. Causas não infecciosas incluem inflamações, neoplasias ou traumas, por exemplo, e podem confundir o clínico, levando ao uso desnecessário de antibióticos.

O fato de que a maioria das cistites bacterianas são assintomáticas, reforça a necessidade de monitoramento e diagnóstico nos pacientes caninos e felinos, evitando complicações como urolitíase, prostatite e pielonefrite, esta podendo levar à insuficiência renal aguda e óbito do paciente.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
KOGIKA, M. M., WAKI, M. F. Infecção do Trato Urinário de Cães. In: JERICO, M. M., ANDRADE NETO, J. P., KOGIKA, M. M. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. Rio de Janeiro: Roca; 2015. p. 1474- 
RIBEIRO, N. A. S. Infecção do Trato Urinário Inferior em Cães – Revisão de Literatura. Rev Educ Cont em Med Vet Zootec CRMV – SP. 2011; 9(1): 38-41.
VASCONCELLOS, A. L. Diagnóstico de cistite em cães – contribuição dos métodos de avaliação [Dissertação]. Jaboticabal: Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”, 2012.

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